Professores  e alunos agressivos

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Escutar numa relação individualizada

Com alunos difíceis a relação individualizada torna-se,  em muitos casos, necessária. É, importante,  contudo,  estar atento às armadilhas que devem ser evitadas e, por sua vez, às atitudes que se devem adotar.

 A escuta

O que significa escutar?

Escutar é acolher o que é expresso sem julgar, tentando compreender o mundo interior do outro, tendo em conta o seu sistema de referências.

Escutar ativamente é permitir dizer e entender-se a si próprio (sempre que reformulo estou a expressar o que ouvi e o que entendi do que ouvi). Para escutar é necessário calar e silenciar a minha reatividade que é vulgarmente o primeiro obstáculo a quem ouve o outro. Com efeito, se o que o outro diz me toca, eu sentirei vontade de falar, de me exprimir, de explicar, de convencer, de impor um julgamento e de expressar as minhas ideias e sentimentos.

Escutar o outro é, antes de mais, escutarmos-nos a nós próprios, isto é aprendermos a dominar e a gerir a nossa reatividade, reconhecer os nossos sentimentos e libertarmo-nos dos nossos medos.

A escuta de si próprio

natural que o comportamento dos alunos faça surgir, no professor, emoções e por vezes sentimentos violentos que vão moldar a relação professor-aluno.

Diante de um comportamento difícil, o professor pode responsabilizar o aluno ou, pelo contrário, autoresponsabilizar-se pela relação difícil que tem com ele, pelos  sentimentos negativos que vai vivenciando face ao aluno, sentindo-se culpado por isso.

Perante um aluno que lhe responde com arrogância, um professor pode interpretar o seu comportamento e reagir de diferentes maneiras:

1.  Ou explica a arrogância do aluno pelo desejo/necessidade deste se valorizar junto dos seus pares, decidindo ignorar momentaneamente o comportamento, e evitando, deste modo, situações de rivalidade  (sabendo que poderá, mais tarde falar a sós com o aluno);

2. Ou pensa que esta arrogância é o correlato de uma dificuldade pessoal  e pede ao aluno para no fim da aula não sair e esperar pelo professor para poderem conversar;

3.  Ou se sente vexado e exige ao aluno um imediato pedido de desculpa;

4.  Ou explode de forma irritada e expulsa o aluno da sala de aula.

Se os comportamentos e as palavras de um aluno suscitam em nós várias emoções, é porque esses comportamentos e palavras nos tocam nas nossas vulnerabilidades, nos nossos medos e nas nossas crenças.

 Reconhecer e consciencializar os próprios sentimentos é o primeiro passo para que os possamos controlar

Se, por exemplo, um professor se desilude com o comportamento de um aluno, é provavel que essa desilusão resulte do facto de ter investido muito do seu conhecimento e do seu afeto nesse aluno.  A diferença entre as expectativas criadas e o comportamento manifesto pode ser vivida pelo professor como uma agressão pessoal ou como uma reação de rejeição ou de cólera (do aluno para o professor). O professor ao atribuir a responsabilidade da sua decepção ao aluno, constrói a sua própria frustração na medida em que se apercebe que não valeu a pena todo o esforço e investimento que fez. Para o professor, é o aluno que tem que mudar.

Este contexto define a importância e a necessidade do professor se escutar a si próprio, de estar atento aos seus sentimentos e de conhecer os seus desejos, necessidades e inibições, porque são eles os factores responsáveis pelas atitudes que se assumem.

Apenas o facto de percepcionar e compreender o seu próprio funcionamento ajuda-lo-á a ser mais lúcido nos seus comportamentos e a criar distância face a eles.

É sobretudo um trabalho de aceitação de si próprio e dos seus limites que podem tornar possível o aumento da tolerância do professor face aos alunos.

Quanto mais o professor se libertar dos seus medos, menos se sentirá posto em causa pelos alunos. Perceberá que não há razões objectivas para se defender e, poderá então, agir de forma mais justa, ouvindo e aceitando o aluno tal como ele é na realidade.

 

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