Por que as crianças ficam com raiva?

images2

Muitas coisas podem desencadear comportamentos de “raiva” nos nossos filhos. Muitos pais reagem mal a estas a situações não sabendo lidar da melhor forma com estes comportamentos. Ficam irritados, nervosos e não raras vezes entram numa verdadeira competição de vontades, acabando por ter uma reacção autoritária (fazes isso ou não fazes, porque eu quero!). Quando passa o confronto, os pais, em muitos casos duvidam de si mesmos como os pais, e sentem-se culpados, envergonhados e incapazes.
Muitos de nós, enquanto crianças, fomos educados de forma a interiorizar que os comportamentos de raiva expressos diante dos pais ou dos educadores mais não eram do que sinais de egoísmo e de falta de respeito Esses tipos de crenças dificultam ainda mais a adequação de respostas eficazes por parte dos pais e educadores.

O primeiro passo para gerir adequadamente a raiva infantil é por momentos esquecer a forma como fomos educados, e, em vez de reproduzirmos as crenças e valores que nos moldaram o comportamento, ensinar algo novo.
É importante saber e transmitir às crianças que a raiva é normal e pode ser aceitável. As reacções parentais devem, então, ir no sentido de lidar e controlar a raiva, orientando-a para comportamentos saudáveis em vez de a negar ou reprimir.Os contratempos e os obstáculos podem tornar-nos mais fortes e desafiar o crescimento.
Pais e professores devem lembrar-se que assim como existem muitas coisas em nossas vidas adultas que nos fazem raiva (cortes de trânsito, perdas de coisas importantes). Ficar zangado com estes tipos de acontecimentos é normal. Da mesma forma, há muitas coisas nas vidas das crianças que os irrita, e suas reações são normais. Os adultos devem permitir que as crianças aprendam a sentir e a perceber os seus sentimentos e maneiras aceitáveis de os gerir, denomina-los e comunicá-los. Existem diferenças entre estar irritado, com raiva, ou indignado… e enquanto estas diferenças fazem pouco sentido para as crianças, à medida que nos tornamos adultos aprendemos a distinguir as emoções e os sentimentos diferentes.
As crianças respondem com raiva porque se sentem impotentes. Para entender por que uma criança se irrita, precisamos, muitas vezes de algum tempo e esforço. O que provocou a explosão? Em nós adultos, sentimos raiva geralmente como resposta à frustração. Em crianças, no entanto, a raiva parece ser uma emoção mais genérica. Pode ser desencadeada por vergonha, solidão, isolamento, ansiedade e dor. As crianças muitas vezes respondem com raiva a estes tipos de situações porque se sentem incapazes de compreender o que se está a passar e sentem-se totalmente impotentes para alterar a situação.De certa forma, a raiva é também, nas crianças, uma resposta a frustração
Uma criança que é especialmente desafiadora pode comportar-se desta maneira, para contrariar a dependência e os medos da perda. Se se sente magoada por uma perda pode irritar-se como forma de evitar o sentimento de tristeza e de impotência. A raiva é mais fácil de sentir do que algumas destas emoções que se tornam violentas e dolorosas para a criança.

Às vezes a raiva de uma criança obriga o adulto a definir mais claramente as regras, a explicar melhor determinados assuntos ou a fazer alterações no ambiente da criança. Noutras palavras, uma criança pode ter aprendido que a raiva é uma bandeira vermelha para todos os fins para que os outros saibam que algo está muito errado. Nestes casos, a criança aprende a que a sua raiva vai provocar uma mudança no ambiente que pode ser uma mudança para melhor.
É importante lembrar que a raiva não é a mesma coisa que a agressão. A raiva é um sentimento, enquanto que a agressão é um comportamento. A raiva é um estado emocional temporário causado pela frustração; a agressão é, muitas vezes, uma tentativa de fazer mal a uma pessoa ou de destruir a propriedade de alguém. Há que ensinar às crianças outras maneiras de exprimir a frustração sem agir de forma prejudicial ou ofensiva.
Lidar com a raiva de uma criança requer primeiro descobrir o que ela sente. Há que perguntar o que aconteceu, o que está errado, ou a razão por que está a sentir-se daquela forma.
Por outro lado, elas podem precisar da ajuda dos pais e educadores para identificar e rotular os seus sentimentos. Um pai de uma criança que bate no irmão deve perguntar a razão por que o fêz. Há que ultrapassar o argumento “ele fez primeiro””ele é que começou” e perguntar-lhes onde e com quem aprenderam a bater para dizer aos outros para pararem de fazer algo que eles não gostam. É provável que, na escola, haja este tipo de comportamentos, ou que os próprios pais reajam batendo ou punindo com raiva sempre que a criança não se comporta como eles desejam.
É necessário explicar que a raiva é natural, ou seja, “eu sei como te estás a sentir; eu fico furioso quando outras pessoas se servem das minhas coisas sem pedir”. No entanto, há que explicar que a agressão (bater no irmão) não é a forma correta de reagir e mostrar outras maneiras de expressar a raiva. Um pai pode dizer algo como, “aqui está o que eu faço quando eu fico fora de mim e deixo de pensar”.
Como adultos não devemos, circunescrevermo-nos apenas a sublinhar o que os filhos não devem fazer; é importante dizer o que eles devem fazer. “Não deves bater no teu irmão quando estás zangado. Explica o que aconteceu, ou diz-lhe para dar os teus brinquedos de volta”.
Alguns pais querem punir os comportamentos de raiva porque não gostam da agressão. Ao contrário de algumas opiniões populares, o castigo não é a maneira mais eficaz para comunicar às crianças o que esperamos delas. A modelação de comportamentos e a definição de regras são muito mais eficazes. Quebrar regras, muitas vezes não é feito com raiva, mas é uma forma de aprendizagem para crianças, que testam o mundo à sua volta. Os pais têm que aceitar que o filho ignore as regras três ou quatro vezes. É a forma das crianças aprenderem que as regras são sérias e para cumprir.

O que fazer quando ocorre uma explosão de raiva?
Vamos propor 0 regras para que pais e educadores venham a lidar e a gerir crises e momentos de raiva nos filhos

sem nome

1. Não grite ou desafiar seu filho quando ele está com uma crise.
Muitas vezes os pais face às explosões de raiva tendem a desafiar filhos e e falam aos gritos. Esta reacção só aumentará a sensação de que, também o pai ou a mãe estão fora de controlo. A melhor coisa que os pais podem fazer é manter a calma durante a crise. É importante referir outras situações para que se perceba melhor o que fazer. Se um adulto tem um acidente de automóvel e bate noutro carro que vai à sua frente e como resultado o condutor do outro carro sai repentinamente e dirige-se a si, com gritos, ameaças e agressões verbais, se você mantiver a calma, falar em tom normal, provavelmente a condutor do outro carro entra em período de relaxação e inicia uma conversa em termos razoáveis. Mas se pelo contrário, você o acusa de ter sido ele o causador do acidente, a tensão entre os dois tende a aumentar e3 a ficar fora do controlo.

2. Não tente argumentar com seu filho quando ele está no meio de um discurso inflamado, de uma birra, ou de uma explosão de raiva.
Os pais devem tentar compreender as razões que levam os filhos a ter este tipo de comportamento. Como adultos, podemos raciocinar no sentido de virmos a resolver situações de tensão. As crianças, contudo, não têm a mesma capacidade para parar e rrefletir como nós fazemos. É importante que os pais e educadores não alterem a vóe e não repreendam as crianças durante a crise. É preferível começar calmamente e quando a criança adquir tranquilidade, a questioná-la dizendo, por exemplo: “Porque estás zangado comigo? Parece-me que a razão reside no facto de não teres trazido os cadernos da escola e, por isso, não poderes fazer os TPC.

3. Observe as suas reações físicas
É importante observar suas reações físicas, e entender que está na presença de uma criança muito triste. O mais natural é que se condoa com a situação e como resposta ficar ansioso “Caramba, estou na presença de alguém que está muito triste”. Mesmo que seja difícil, o truque é agir contra isso de alguma forma e tentar ficar calmo. Lembre-se, que os seus filhos precisam, nestes momentos, da sua força e da sua compreensão. Ao ter em atenção as suas próprias reações ajudará, certamente o seu filho a prestar atenção a si próprio, porque ele não vai precisar de se preocupar consigo e com as suas emoções.

4. Não se zangue nem exerça qualquer tipo de violência sobre o seu filho

Uma vez um pai consultou-me porque perdeu o controlo face a uma cena de agressividade da criança com a mãe. O pai empurrou o filho e a”luta” começou. O filho deixou de falar com pai porque sentiu que este lhe deveria pedir desculpas; o pai, por outro lado, na certeza que o problema tinha sido causado pelo filho e, preocupado em não perder a sua autoridade. porque que diminuiria a sua autoridade.Em situações semelhantes é importante dizer: “Eu perdi o controle e foi errado empurrar-te, peço desculpa” . Em vez de tentar encontar as culpas, é importante ensinar os filhos a assumirem a responsabilidade e a pedirem desculpas de forma genuina. É importante ser um bom modelo e se a resposta dos pais for agressiva, os pais estão a ensinar aos filhos que os problemas se resolvem com a agressão.

5. Comos filhos mais novos há que mudar de estratégias
Se o seu filho pequeno (dezoito meses a 4 anos) está a manifestar-se através de alterações de humor e raiva, os pais devem deslocar-se para longe dele, embora sem o isolar completamente. Quando crianças pequenas estão chateadas, os pais podem ajudá-los, dizendo, por exemplo “eu gostava muito de poder ajudar-te a acalmareste. Deita-te aqui um bocadinho “.Fazendo isso a criança perceberá que os pais e3stão atentos a ela e que é necessário que ela atija o auto-controlo. Pode também afirmar “Quando se sentir melhor e já não estiver chateada, venha para o pé de mim.
6. Não fique sem ação
Alguns pais ficam sem ação quando os filhos fazem birras ou começam a gritar com eles. A mãe, emocionalmente alterada, paralisa sem saber qual a decisão a tomar. Se se assume este tipo de comportamento, o seu filho tenderá a rewpetir as cenas, as birras e as teimas porque sabe que não haverá reacção por parte do adulto.
A melhor forma de reagir é por um lado, não se irritar e manter-se calma, ao mesmo tempo que não pode ceder às suas exigências. O que há a fazer é deixar que a criança acalme e mais falar com ela e garantir-lhe que hé nela muitas capacidades para pensar, reflectir e resolver problemas.
7. Defina consequências para o mau comportamento, não para a raiva
Quando seu filho faz uma birra e grita, certifique-se de que as conseqüências com base em seu comportamento e não em suas emoções. Por exemplo, se o seu filho lhe chama um nome ofensivo, durante a explosão de raiva, deve dar-lhe uma castigo ou reprimenda depois para esse comportamento. Mas se tudo que ele faz é pisar em seu quarto e gritar sobre como a vida não é justa, eu deixaria isso ir. Os filhos precisam de sentir precisam que têmnos pais um lugar seguro para desabafar. Enquanto eles não quebrarem nenhuma regra, os pais devem permitir que eles manifestem a sua raiva.
8.Não dê castigos exagerados
Dar punições pesadas durante as crises não tem o efeito que os pais desejam. Por exemplo, se o seu filho está a gritar e a ofender um dos pais ou os dois e como resposta, os pais proibem-no de estar no computador ou de ir aos ensaios de futebol durante uma semana, ele contnua ou redobra os gritos; perante isto os pais aumentam a punição para duas semanas . O que habitualmente acontece é que as crianças mantêm a escalada; Quanto mais os pais tentam punir, a fim de forçar os filhos a pararem e a atingirem o controlo sobre si mesmo, pior fica a situação.
O que realmente acontece é que os pais perdem o controlo emocional. Eu entendo que é difícil suportá-lo quando seu filho estiver chateado — nós não gostamos disso. Mas é o que você quer tentar se perguntar, “O eu quero meu filho a aprender?” E a resposta pode ser, “quero aprender como não fazer um escândalo toda vez que ele tem que fazer alguma coisa que ele não quer fazer. Quero que saiba que quando fica perturbado, há uma maneira adequada para se safar.” A pior coisa que você pode fazer é se juntar a ele e se aborrecer. Punições duras que parecem intermináveis a sua criança não são eficazes e só o deixará mais furioso naquele momento.
8. Faça um intervalo
Em muitos casos quando os pais estão em conflito, tentam resolvê-lo através de uma pausa até que se acalmem e sejam capases de falar sobre o motivo que ocasionou a zanga. Esta técnica também funciona com os filhos, mas os pais, muitas vezes, não pensam nisso porque consideraram que sabem controlar as crianças. Mas lembre-se, quando alguém está com raiva, não se pode argumentar com eles e não se pode tentar apressar a conver4sa para resolver os problemas. Há que fazer uma pausa e voltar a interagir com os outros, mais tarde, quando a calma regressar.
10. Respostas adequadas para gerir e dominar a raiva
Os pais devem tentar, na frente dos filhos, ser um modelo apropriado na gestão das suas próprias zangas. Como devem fazer? Podem, por exemplo dizer dizer, “Eu estou a ficar frustrado, “vou parar um pouco”,”vou dar uma volta, não me peças para falar já”, “Estou muito chateada, e preciso de esperar até ficar mais calma”, “falamos mais tarde”. Desta forma, a mãe, por exemplo, admite que está enervada e precisa de tempo para se acalmar, não se trata de uma fraqueza; no entanto, é preciso muita força para dizer estas palavras em voz alta. Reagindo. Desta forma, a mai ensina a gerir a raiva, e isso é exatamente o que se quer que os filhos aprendam.

Advertisements

Deixar um comentário.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s