DORMIR NA CAMA DOS PAIS

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Limitar o acesso dos filhos à cama dos pais é do próprio interesse da criança.
Uma família saudável tem limites saudáveis. A separação entre as gerações funciona para manter um equilíbrio de poder e de intimidade apropriados. Esses limites não existem para restringir a corrente de amor entre os membros, mas eles existem para que os pais possam partilhar e beneficiar da intimidade que a idade adulta lhes permite e que torna, simultaneamente possível a manutenção de um fluxo constante de amor e carinho de afecto de pais para filhos. Quando esses limites são frágeis ou inexistentes, o relacionamento conjugal sofre quer na sua intensidade quer na sua qualidade. Muitas vezes quando um casal não se satisfaz no plano das necessidades emocionais, vão procurar nos filhos a satisfação dessas privações, tornando-se excessivamente cuidadosos e emocionalmente envolvidos com filhos.

pai

O casamento sofre porque o tipo de amor que se cria e se mantém entre uma mãe ou um pai e um filho não substitui o amor e a intimidade de uma relação adulta. Por sua vez, as crianças sofrem por serem colocados na posição de terem que corresponder emocionalmente como se de adultos se tratasse. O seu desenvolvimento emocional, social e cognitivo não lhes permite assumir tal responsabilidade que advém da necessidade exigida pelos pais de estarem constantemente atentos a eles e a dar-lhes respostas às suas necessidades emocionais. Nestes casos e para substituir o adulto, as crianças sacrificam as suas próprias necessidades decorrentes da fase de desenvolvimento que estão a viver. Uma outra razão importante que aconselha a que os filhos não durmam com os pais é o facto de esta situação lhes conferir um enorme poder na família, na medida em que, os papéis estão nitidamente trocados, e as crianças passam a ser as pessoas, que no agregado familiar, têm a responsabilidade de estarem vigilantes e gratificarem o adulto.

Numa família saudável, as crianças aprendem com o tempo a respeitar a relação de intimidade que só pode ser partilhada por um marido e mulher.

Quando isso ocorre, as crianças desenvolvem nas idades adequadas formas diversificadas de pedir e obter carinho e gratificação. A criança também adquire a capacidade de se acalmar, e esta competência só vem a ser desenvolvida, se os pais se apercebem das situações em que devem ou não interferir e “mimar” a criança.
Um outro aspecto a considerar é que a cama dos pais se torna rapidamente num “viveiro” de problemas quando as crianças dormem no mesmo espaço que eles. Quando pais e filhos partilham o espaço comum (cama) a intimidade e as manifestações de ternura, afecto, amor e sexo são altamente sacrificadas, características essências a uma relação conjugal bem-sucedida.

A questão de ter um filho a dormir com um pai torna-se ainda mais complexa no caso de um divórcio. As crianças, especialmente, as de idade pré-escolar são muito afectadas pela situação de divórcio dos pais podendo manifestar instabilidade emocional e queixas somáticas. Sentem que perderam a presença de um dos pais e podem temer vir a perder o outro progenitor. Têm frequentemente pesadelos e o pai com quem a criança está a viver pode pensar que dormindo com ela, lhe trás segurança e uma presença reconfortante. Contudo, a longo prazo os efeitos podem ser muito nocivos, na medida em que a criança, habitualmente, se torna muito dependente e com maiores dificuldades de adaptação a qualquer tipo de mudança.

A mulher sozinha, poder viver sentimentos de abandono e de desprotecção. A cama torna-se um lugar vazio e frio onde vai dormir todas as noites. Um pai ou uma mãe divorciados podem voluntária ou involuntariamente procurar amenizar esses sentimentos, levando o filho ou a filha a dormir com eles. A companhia assim conseguida será de um grande conforto: é alguém que está ali, a seu lado e com quem se tem uma relação de amor.

A criança, nesta situação cuida das necessidades emocionais do adulto. Isto pode intensificar e complicar a preocupação que as crianças, habitualmente, vivem quando não estão com o outro progenitor e sentindo-o, sozinho, como que abandonado por elas, podem vir a viver sentimentos de culpabilidade. Uma outra situação que decorre da dormida em comum com os pais ou, neste caso, com os pais divorciados, sucede quando o adulto, mãe ou pai, arranja um novo companheiro. Como é que se vai desalojar um filho ou uma filha sem lhes provocar sentimentos de abandono, ciúme, etc.?

images (5)O que fazer quando o seu filho vem a meio da noite para a sua cama?
Normalmente quando esta situação acontece, a criança procura calor e conforto junto dos pais. Será aconselhável que o pai ou a mãe se levantem e vão por, de novo, a criança no seu próprio quarto. Deve-se aconchega-la e falar-lhe suavemente. Pode ler-se um trecho da sua história favorita e pôr-lhe na cama o seu boneco ou objecto dos seus encantos. Encoraje-a a pensar em coisas positivas e prometa-lhe que fica junto a ela até que a tranquilidade e o sono voltem para seu descanso.

Deve repetir esta rotina, sempre que for necessário. O seu filho vai aprender que o seu quarto é onde deve descansar e é seguro e sempre vigiado pelos pais.
No dia seguinte será reconfortante para todos, ouvir o seu filho chegar de pé ante pé ou mesmo com passinhos apressados a querer agarrar-se a si para lhe dar os bons dias. Poderá felicitá-lo porque ele está a crescer e já sabe tomar conta de si e passar a noite sozinho.

 

 

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2 thoughts on “DORMIR NA CAMA DOS PAIS

  1. Inês Pessoa

    “Uma outra situação que decorre da dormida em comum com os pais ou, neste caso, com os pais divorciados, sucede quando o adulto, mãe ou pai, arranja um novo companheiro. Como é que se vai desalojar um filho ou uma filha sem lhes provocar sentimentos de abandono, ciúme?”
    Neste caso em concreto, como se faz? Como é que agimos?

    Responder
  2. Anna Fernandez

    Cuando era pequeña, yo estaba durmiendo en la cama con mis padres porque tenía miedo a la oscuridad. Pero a medida que fui creciendo he perdido ese miedo. Piensan los padres necesitan saber para tratar con él.

    Responder

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