Problemas de comportamento em crianças com alterações do espectro do autismo

 

peri33Os problemas de comportamento de crianças com perturbações do espectro do autismo estão entre os problemas mais desafiadores e stressantes com que as escolas e os pais se debatem. Recentemente, utiliza-se no tratamento e prevenção de comportamentos indesejados ou desafiadoras os princípios e práticas de apoio comportamental positivo. Este método tem demonstrado ser eficaz numa grande variedade de comportamentos disruptivos. Embora usado com sucesso tanto em sala de aula como em todos os espaços escolares, esta técnica não é uma intervenção específica em si, mas uma abordagem que tem sido elaborada a partir de métodos tradicionais da gestão comportamental. Refere-se a um conjunto de estratégias baseadas em pesquisas que visam diminuir comportamentos problemáticos, criando ambientes eficazes e ensinando os alunos competências sociais e de comunicação adequadas. O objectivo é diminuir o comportamento potencialmente problemático, alterando as condições ambientais e ensinar novas habilidades em vez de se focar directamente na eliminação do comportamento indesejável.
Uma componente essencial das práticas de apoio comportamental positivo é a avaliação do comportamento funcional para ajudar a determinar os estímulos que influenciam e mantêm o comportamento desafiador do aluno. Este método é considerado como uma boa prática para a identificação e planificação nas intervenções comportamentais. Um objectivo importante de uma avaliação funcional é identificar o plano de fundo ou as situações ambientais que poderão antecipar a ocorrência e a ausência de comportamentos desafiadores dos alunos. Um segundo objectivo é obter e alargar as informações que com probabilidade de melhorar a eficácia e a eficiência das estratégias de intervenção. É importante identificar as funções que os comportamentos têm do ponto de vista social. Por exemplo, os alunos podem exibir comportamentos desafiadores com o objectivo de fugir à situação ou para ter a atenção dos colegas ou dos adultos sobre si próprio.
Quando as matérias e conteúdos escolares são de maior complexidade, os alunos podem tentar evitar ou escapar ao trabalho através de um tipo determinado de comportamento (por exemplo, recusa, agressão passiva, perturbação, etc.). Também pode acontecer que a utilização do comportamento desafiador seja para chamar a atenção.
Trata-se, então de uma estratégia para identificar os fins, os objectivos ou as funções de um determinado comportamento do aluno; é também um ensaio para compreender as condições sob as quais é mais ou menos provável que o comportamento ocorra; é um processo para o desenvolvimento de uma compreensão útil de como o comportamento do aluno é influenciado pelo ambiente ou como se relaciona com ele; é, ainda, uma tentativa de identificar claros e preditivos relacionamentos entre factores do ambiente e ocorrências de comportamentos desafiadores dos alunos e os acontecimentos contingentes que mantêm o comportamento.
Este processo pode ser realizado de várias maneiras. Um dos métodos utilizados são as entrevistas e as escalas de avaliação que, aplicadas aos professores e pais, fornecem dados muito importantes para a intervenção.
Um segundo método é a observação directa do aluno em ambientes naturais. Uma estratégia de observação para a recolha de informações é o técnica A-B-C que todos conhecemos. O observador regista o antecedente do comportamento (o que aconteceu imediatamente antes do comportamento se manifestar), descreve o comportamento e a consequência do comportamento (o que aconteceu imediatamente depois). Os passos seguintes são um guia geral para o desenvolvimento de um plano de intervenção.
A elaboração de um plano deve começar por uma avaliação funcional do comportamento para se poder entender a sua natureza manifestamente desafiadora em contexto natural.
Em seguida, o psicólogo, em conjunto com o professor, examina os resultados da avaliação funcional e desenvolve hipóteses sobre a natureza do problema que conduz à manifestação do comportamento problemático.
Uma vez estabelecida a hipótese é possível traçar a estratégia mais adequada para se iniciar a intervenção. O foco do plano de intervenção não é apenas dirigido à redução de comportamentos, mas é essencial trabalhar no sentido de habilitar as crianças com competências (geralmente comunicativas) adequadas e funcionais que operam como comportamentos de substituição do comportamento indesejável.
Nota: embora o nosso objectivo neste texto fosse orientado para os problemas de comportamento das crianças com alterações do espectro do autismo, as estratégias aqui evocadas podem ser aplicadas a qualquer criança com alterações de comportamento.

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