VAMOS FALAR DE AFETIVIDADE

 images (2)

 

O conceito de afetividade não é homogéneo. Na literatura encontra-se com frequência a utilização dos termos afeto, emoção e sentimento, como sinónimos. Na maioria das vezes, o termo emoção encontra-se relacionado com a componente biológica do comportamento humano, referindo-se a uma agitação, a uma reação de ordem física. Já a afetividade é habitualmente utilizada de forma mais abrangente, referindo-se às vivências dos indivíduos e às formas de expressão mais complexas e essencialmente humanas.

Apesar das dificuldades de conceptualização que o longo da história acompanha os fenómenos afetivos, alguns autores consideram que tais fenómenos se referem às experiências subjetivas, que refletem a forma como cada sujeito “é afetado pelos acontecimentos da vida ou, melhor, pelo sentido que tais acontecimentos têm para ele” Portanto, “os fenómenos afetivos representam o impacto dos acontecimentos no ser humano, produzindo nele um elenco de reações matizadas que definem seu modo de ser-no-mundo. Dentre desses acontecimentos, as atitudes e as reações dos seus semelhantes a seu respeito são, sem sombra de dúvida, os mais importantes, imprimindo às relações humanas uma modulação dramática. Assim sendo, parece mais adequado entender o afetivo como uma qualidade das relações humanas e das experiências que elas evocam.

Embora os fenómenos afetivos sejam de natureza subjetiva, isso não os torna independentes da ação do meio sociocultural, pois relacionam-se com a qualidade das interações entre os sujeitos, enquanto experiências vivenciadas. Dessa maneira, pode-se supor que tais experiências vão marcar e conferir aos objetos culturais um sentido afetivo.

Wallon dedicou grande parte de sua vida ao estudo das emoções e da afectividade, tendo identificado as primeiras manifestações afetivas do ser humano, as suas características e a grande complexidade que vão adquirindo ao longo do desenvolvimento. Para Wallon a afetividade desempenha um papel fundamental na constituição e funcionamento da inteligência, determinando os interesses e necessidades individuais.

Atribui às emoções um papel de primeira grandeza na formação da vida psíquica, funcionando como uma amálgama entre o social e o orgânico. As relações da criança com o mundo exterior são, desde o início, relações de sociabilidade, visto que, ao nascer, não tem “meios de ação sobre as coisas circundantes, razão porque a satisfação das suas necessidades e desejos tem de ser realizada por intermédio das pessoas adultas que a rodeiam. Por isso, os primeiros sistemas de reação que se organizam sob a influência do ambiente, as emoções, tendem a realizar, por meio de manifestações consoantes e contagiosas, uma fusão de sensibilidade entre o indivíduo e o seu entourage” (A evolução psicológica da criança (1968).

Wallon (As Origens do Caráter na Criança,1978) entende que a primeira relação do ser humano ao nascer é com o ambiente social, ou seja, com as pessoas que se constituem como seus cuidadores. As manifestações iniciais do bebé assumem um caráter de comunicação entre ele e o outro, sendo vistas como o meio de sobrevivência típico da espécie humana. “Os únicos atos úteis que a criança pode fazer, consistem no fato de, pelos seus gritos, pelas suas atitudes, pelas suas gesticulações, chamar a mãe em seu auxílio.(…) Portanto, os primeiros gestos (…) não são gestos que lhe permitirão apropriar-se dos objetos do mundo exterior ou evitá-los, são gestos dirigidos às pessoas, de expressão” (p. 201).

Considerando que o processo de aprendizagem ocorre em situações de interações sucessivas entre as pessoas, a partir de uma relação vincular, é, através do outro que o indivíduo adquire novas formas de pensar e agir e, dessa forma se apropria (ou constrói) os novos conhecimentos.

Baseando-se numa perspectiva teórica fundamentalmente social, a partir de Vygotsky e Wallon, defende-se que a afetividade que se manifesta na relação professor-aluno constitui-se elemento inseparável do processo de construção do conhecimento. Além disso, a qualidade da interação pedagógica vai conferir um sentido afetivo para o objeto de conhecimento, a partir das experiências vividas.

Os saberes académicos, são saberes socialmente constituídos e culturalmente referenciados e os processos de desenvolvimento e aprendizagem ocorrem em espaços de interacção social. Por outro lado, a resultante dos saberes adquiridos e dos processos de desenvolvimento têm a sua expressão e a sua afirmação em espaços sociais, pelo que o professor se assume como uma referência reguladora de interacções e tensões sociais no seio do grupo de jovens. É ao professor que cabe selecionar as estratégias educativas mais favoráveis à produção de interacções, assumindo-se como moderador dessas interacções, sendo a sua acção educativa orientada para a construção de competências sociais que se traduzem nos processos de participação social, de expressão de solidariedades, de manifestação de indignação, de exercício de direitos e assunção de deveres, de afirmação de valor pessoal.

 images (2)

Advertisements

Deixar um comentário.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s