O ajustamento psicológico nos adolescentes

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Hargeaves no seu livro “educação para a mudança”1996) refere que, á medida que os adolescentes se confrontam e se ajustam psicologicamente a todas as mudanças do período de desenvolvimento que estão a viver, enfrentam conflitos e incoerências entre as diversas identidades e os diversos valores a que têm acesso. Quando os conflitos são resolvidos de forma negativa podem desenvolver-se nos adolescentes sentimentos de alienação ou de estranheza relativamente aos pais, amigos e à sociedade em geral. Calabrese (1987) referido por Hargreaves, alude ao facto dos sentimentos de alienação decorrentes dos problemas psicológicos e emocionais dos adolescentes (isolamento, falta de sentido, falta de regras e impotência), são responsáveis por determinados comportamentos de desajustamento pessoal e social, designadamente expressos no abuso de álcool e drogas, no suicídio, nos problemas de comportamento e na promiscuidade sexual. Uma das maiores fontes de alienação, de acordo com Calabrese, é a exploração económica de adolescentes. Esta população é habitualmente tratada como um mercado de consumo, uma fonte de trabalho barata e como capital humano. O materialismo tem uma influência importante nos valores dos adolescentes: estes adotam, frequentemente, modas de consumo ou estilos de vida aos quais a sociedade de consumo os expõe e estimula. É o caso do uso de uma “moda” específica de roupa ou mesmo mística, por exemplo, que lhes possibilita um sentido de identidade e os ajuda a compensar o seu sentimento de alienação.

Há também algumas evidências de que os adolescentes vivem por vezes sentimentos de impotência muito fortes os quais decorrem da necessidade, que têm, de viver a sua ”independência”.

A adolescência, envolve a emancipação do controle dos pais e um sentimento forte de igualdade estatutária no mundo adulto. É essa necessidade que gera tantos mal entendidos e conflitos tanto em casa como na escola. Se a rebeldia contra os mais velhos pudesse ser vista como uma evidência de maturidade, os adultos seriam mais tolerantes, mais compreensivos e viveriam menos o sentimento de culpa face aos prováveis erros educativos que cometeram.

Os professores, por sua vez que não entendem nem querem entender a rebeldia própria da adolescência como uma tarefa específica desta fase de desenvolvimento, lamentam a aparente falta de autoridade, em vez de encorajar o crescimento da autonomia e da identidade nos adolescentes, a escola estabelece regras e regulamentos que privam os jovens de exercerem a sua capacidade de autonomia, de pensar criticamente e de agir em função dos seus próprios valores.

Sendo assim, as escolas mais não fazem do que exacerbar o alienação dos adolescentes. Ao proporcionar ambientes autoritários e massificadores, enfatizam os resultados cognitivos em vez de promover as capacidades emocionais e sociais para além de promoverem e reforçarem o sentimento de impotência a que os adolescentes já estão inclinados.

 

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