Avaliação psicológica

imagesQP10Y1XL A psicologia da Educação tem estado reduzida à psicologia escolar em que a criança ou o aluno que foge às normas da aprendizagem, ou que se afasta do rendimento académico do resto da turma é considerado o único responsável pelo seu insucesso. A maior parte das vezes, a psicologia educacional tem-se limitado a olhar para as questões secundárias, que se manifestam apenas como indícios de uma realidade mais vasta de natureza social e escolar cuja gravidade é tratada com toda a impunidade possível. Contrariamente ao que é defendido na teoria e na política são as crianças que se têm que adaptar à escola e não, como seria de esperar, o contrário.

Desta forma, a psicologia da educação, assumiu as “dores” da escola, distanciando-se do objectivo fundamental que é o da democratização educacional. Acreditamos, contudo que a mudança é possível, e que a Psicologia Educacional pode contribuir de forma valiosa para introduzir na escola uma efectiva igualdade de oportunidades e práticas de justiça humana e social. Sabemos bem que o processo de aprendizagem depende de múltiplas variáveis que incluem as estratégias pedagógicas e as expectativas do professor, o seu conhecimento científico, o gosto pela profissão, o padrão de interacção social que estabelece com os seus aluno, etc. e a natureza das tarefas de aprendizagem, bem como das competências globais dos alunos. Se assim é como é possível que a atribuição do fracasso escolar recaia sempre no aluno e na sua família? Se o sistema escolar é, para todos, investigadores e profissionais, co-responsável pelo fracasso escolar, como é possível que os psicólogos educacionais continuem a reforçar a crença de que a criança é a responsável pelo seu fracasso. De certa forma, a Psicologia contribuiu com essa situação ao utilizar instrumentos e testes para encaminhar as crianças com problemas., aplicando apenas instrumentos cuja metodologia abusava da psicometria e gerava diagnósticos e prognósticos mal fundamentados que transformaram indivíduos em problemas e diferenças em doenças. Nessas práticas, os fenómenos psicológicos dinâmicos e complexos foram coisificados e tratados à revelia dos contextos socioculturais que os produziram (Maria Regina Maluf; Alacir Villa Valle Cruces

Segundo Facci (1991, p. 07), as tentativas de restringir as questões educacionais apenas à sua dimensão psicológica não tem sido bem sucedida, pois o reducionismo privilegia os processos internos do aluno e os aspectos psicopedagógicos da escola, o que impede uma compreensão mais ampla do processo educacional e a sua vinculação com a dinâmica da sociedade”, e “produz” cada vez mais crianças com alterações de desenvolvimento, crianças com défices cognitivos, etc.

O processo de avaliação psicoeducacional permite, através da utilização de um conjunto de recursos e meios técnicos, elencar os factores que bloqueiam o desenvolvimento e a adaptação escolar de uma criança ou jovem sinalizado pela escola, pela família ou pelas instituições da comunidade onde está inserido.

A entrevista deve constituir o primeiro passo da avaliação para se situar o problema e, por vezes, redefinir o pedido, já que nem sempre o motivo expresso corresponde à preocupação fundamental. Por vezes o aprofundamento conseguido na entrevista evita a consulta, já que o psicólogo pode considerar que o aconselhamento é a melhor opção, não sendo necessário fazer uma consulta.

Com efeito, nem sempre a avaliação psicológica requer a aplicação de testes psicológicos. Numa entrevista dinâmica, bem conduzida, e na avaliação directa da interacção estabelecida nos diferentes contextos de vida dos indivíduos alvos da avaliação, é possível obter uma série de dados que devidamente articulados nos podem dar a informação suficiente para podermos, a partir daí, estabelecer um plano de intervenção.

A avaliação deve ter em conta a identificação das condições positivas e negativas susceptíveis de serem responsáveis pelo bom e mau desempenho emocional, social e escolar da criança ou jovem. Requer objectividade na procura e interpretação dos factores que afectam o desenvolvimento humano. Uma avaliação abrangente oferece recomendações realistas que se consubstanciam num plano de intervenção a ser levado à prática pelos agentes dos contextos que interagem com o indivíduo e definem as exigências ao nível do seu comportamento, quer ele seja de natureza social ou escolar.

Manuela Machado

Melhores Práticas EPsicológicas, Melhor Qualidade de Ensino. Lisboa. Edições Vieira da Silva. 2ª Edição. 2012

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