Competências parentais e disciplina

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Introdução

Ser pai ou ser mãe é um processo de aquisição lento que envolve múltiplas competências e habilidades. Nenhum pai (ou mãe) consegue reagir, pensar e actuar de forma adequada em todas as ocasiões e ao longo de todas as fases de desenvolvimento dos seus filhos.

Dependendo da idade e do comportamento dos filhos, haverá, provavelmente, momentos em que é mais fácil responder adequadamente às suas necessidades, solicitações, teimosias, birras, zangas, oposições, desobediências, etc.. O exercício da autoridade e a opção por atitudes e comportamentos educativos que promovam o desenvolvimento do juízo moral e a adequação social, requer saberes, prática, estabilidade emocional e bom senso.

Conversar com outros pais, integrar-se em grupos de apoio ou em acções de educação parental podem ser excelentes recursos para ajudar os pais a aumentar a sua autoconfiança e a diversificar as suas respostas educativas.

Falando de comportamentos parentais que concorrem para desenvolver a disciplina e a adequação social dos comportamentos dos filhos, existem certas orientações, que contribuirão, certamente, para a promoção de uma disciplina eficaz. Entre elas, apontaremos as seguintes:

1. Estar atento e avaliar as situações de risco e de perigo

Os pais eficazes são mais sensíveis à detecção de situações que podem ser de risco para o bom equilíbrio e saúde física e mental dos seus filhos. Sabem, por exemplo, como podem bloquear certos sites da internet, como devem dialogar com os filhos acerca dos perigos que correm quando disponibilizam, nas conversas online, dados que os podem identificar na escola, na rua, no supermercado e noutros locais. Há que encontrar um equilíbrio entre a protecção excessiva e a ausência de monitorização dos comportamentos e passatempos dos filhos e, fundamentalmente, dar-lhes instrumentos para que eles venham a ser competentes para diagnosticar e saber defender-se de situações de perigo.

2. Dar exemplos positivos

Os pais que dizem: “Faz o que eu digo, não faças o que eu faço” têm, em muitos casos, resultados educativos contraditórios aos próprios objectivos educacionais que estabeleceram.

Os adultos que gritam quando estão irritados tendem, a desenvolver, nos filhos, reacções e comportamentos semelhantes. Da mesma forma, os pais que sabem lidar com o seu próprio stress e nervosismo e respondem, de forma tranquila quando, nessas situações, são incitados, tendem a ter filhos que dominam melhor a sua própria impulsividade e que controlam melhor os seus “estados de alma”.

A modelagem de comportamentos adequados é uma competência essencial da parentalidade. As crianças vêm e compreendem o que se passa à sua volta e tendem a repetir os comportamentos que observam, interiorizando-os, por vezes, de forma, inconsciente. A observação é um instrumento fundamental para a aprendizagem.

3. Definir limites apropriados

É essencial que os pais definam limites apropriados, mesmo quando as crianças protestam. Os pais eficazes conseguem tolerar a zanga e os amuos dos filhos quando estes são contrariados. Mantêm a disciplina, a regra, a norma instituída e consideram que o fazem pelo interesse da própria criança, sem se culpabilizarem nem terem medo de perder o amor dos filhos.

4. Impor consequências de forma consistente

Os pais eficazes não só impõem consequências, como as mantêm sempre que determinados comportamentos dos filhos se repetem. A consistência nas consequências é uma habilidade vital para os pais. Contudo, é importante que os pais entendam a importância de tornar visíveis as consequências positivas de comportamentos positivos, isto é que os comportamentos adequados que as crianças assumem, sejam devidamente recompensados.

É essencial que as crianças saibam as consequências que as esperam quando agem desta ou daquela maneira e mais importante, ainda, é que tenham a certeza de que face aos mesmos comportamentos haverá sempre consequências semelhantes, o que significa que os pais são consistentes nas suas reacções.

5. Escolher as batalhas com sabedoria

Uma disciplina eficaz requer que os pais sejam capazes de avaliar se a situação, motivo de discórdia, vale a pena manter. Há comportamentos que apenas concorrem para uma luta de poderes. Por exemplo, se uma criança de quatro, cinco anos quer vestir uma gabardine nova num dia de sol de Agosto, deixar fazê-lo pode fazer mais sentido do que tentar convencê-la de que o seu desejo não passa de um disparate. A criança deixará, rapidamente, a sua vontade de lado, se os adultos não entrarem a “medir forças” com ela.

6. Gerir eficazmente o Stress

Os pais que gerem eficazmente o seu stress têm muito mais sucesso quando querem disciplinar uma criança. Os pais stressados têm maior tendência a gritar ou a serem inconsistentes nas suas exigências. Têm, também, mais propensão a serem punitivos em vez de disciplinadores. Um pai stressado pode desencadear mais problemas de comportamento numa criança, o que, por sua vez, tende a aumentar o seu grau de stress.

7. Dar atenção positiva

Encontrar tempo para dar atenção diária aos filhos pode fazer toda a diferença na vida de uma criança. A atenção diária amplia a eficácia das estratégias de disciplina. Pode, no entanto, ser difícil encontrar tempo e energia para dedicar uma atenção individual a cada criança, especialmente em famílias monoparentais ou em famílias com várias crianças. Podem, no entanto, e, dentro das suas disponibilidades, acertarem com os filhos, o tempo diário ou semanal para estarem com cada um ou com todos.

8. Estabelecer expectativas claras

Quando as crianças não entendem o que é que os pais esperam que elas façam ou de que forma desejam que elas se comportem, o mais provável é que não tenham consciência da natureza da desejabilidade dos pais face aos seus comportamentos. Os pais eficazes dizem, claramente, e de forma que eles entendam, o que esperam dos filhos.

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2 thoughts on “Competências parentais e disciplina

  1. emiele

    Claro que é tudo isto.
    E não ter medo de ser firme e dizer não. Muitas vezes hoje há pais a sentir-se ‘culpados’ por terem muito pouco tempo para estar com os filhos, e dizem « só estou um bocado com eles não posso estar sempre a contrariar» sem perceber que um excesso de permissibilidade vai ter consequências que nem imaginam.
    A criança deseja mesmo sentir a protecção das regras. Dá-lhe segurança e conforto. E a primeira birra bem sucedida abre a porta a uma avalanche de outrasa birras cada vez mais fortes.

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  2. emiele

    É o tema mais discutido ultimamente (ou dos mais discutidos…) Os pais de hoje preocupam-se muito em como conseguir impor regras e conseguir obediência. todos os pontos aqui definidos são muito importantes, mas para mim o ponto 2 e o 3 são fundamentais. Exigir que uma criança faça o contrário do que a mãe ou o pai faz não tem o menor sentido, e muitas vezes isso acontece. É certo que há actos que se podem fazer porque os pais são adultos e isso deve ser bem claro, “os direitos não são iguais”. Mas se o pai diz palavrões, se a mãe diz mentiras descaradas, se são desleixados, é impossível obrigar o filho a ser bem educado, verdadeiro, arrumado. E quanto ao ponto 3 não se pode aceitar a ‘chantagem’ infantil 😉 a birra, os gritos, o já-não-gosto-de-ti. A firmeza tem de ser a regra por mais que custe ouvir o choro e ver as lágrimas.

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