A MENTIRA NA INFÂNCIA E NA ADOLESCÊNCIA

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Introdução

Todos sabemos que mentir é um comportamento vulgar. Quase todas as pessoas o fazem por uma variedade de razões: evitar magoar os sentimentos de alguém, sair de uma situação embaraçosa, etc.

É, habitualmente, fonte de preocupação, de irritação e mesmo de zanga para os pais o facto de os filhos mentirem.

Mas será que os pais sabem que a mentira na criança não tem o mesmo significado da mentira no adulto?

Antes de reagir, é importante compreender as razões pelas quais a criança pode mentir.

A evolução do conceito “verdade”

A compreensão pelas crianças do conceito de verdade depende do seu desenvolvimento e maturidade. Vejamos como evolui o conceito de verdade.

Antes dos três anos – alterar a verdade não significa mentir. Até esta idade as crianças imaginam que as mães podem, facilmente, ler os seus sentimentos e pensamentos.

Uma criança de dois anos que se esconde, numa loja, atrás de um uma série de cabides com vestidos pendurados e que se apercebe de que a mãe anda à sua procura, não entende porque é que isso acontece, uma vez que a mãe saberá onde ela se escondeu, mesmo que a criança esteja longe e fora da sua vista.

Aos 3-4 anos – as crianças aprendem que as outras pessoas não têm acesso aos seus pensamentos. Nestas idades têm uma imaginação muito fértil e divertem-se em testar o efeito da sua fantasia nos outros. Contam, como verdadeiras, histórias inventadas e esperam pela reacção dos adultos. Não raras vezes são capazes de arquitectar uma situação para culpar alguém de um determinado incidente.

Algumas crianças com estas idades, têm um amigo imaginário. Este amigo brinca com elas, conversa, joga e às vezes culpam-no quando elas próprias fazem coisas erradas.

Os pais não se devem preocupar com esta situação, a não ser que os seus filhos revelem dificuldades evidentes em interagir e comunicar com os adultos e com outras crianças.

Aos 6-7 anos – as crianças, mais do que portarem-se de acordo com as exigências normativas, têm um enorme desejo de agradar aos pais e, se mentem, é porque sabem que a verdade os vai irritar e fazer com que eles se zanguem.

Aos 8-9 anos – as crianças já compreendem a diferença entre a realidade e a fantasia (por exemplo, a existência do pai Natal) e já distinguem o que está certo do que está errado.

Porque mentem as crianças?

Várias razões:

  • Não têm idade suficiente para entender a diferença entre verdade e mentira e entre certo e errado.
  • Têm medo de ser castigadas ou de perder o afeto dos pais.
  • Têm baixa auto-estima e querem parecer, aos olhos dos outros, melhores do que julgam ser.
  • Querem impressionar positivamente os seus amigos.
  • Acreditam que o que estão a dizer é verdade.
  • Copiam pessoas da família que dizem mentiras.
  • Os pais podem dizer que mentir é errado mas nem sempre dizem a verdade, por exemplo, quando alguém bate à porta e o pai diz para a criança, ‘diz que eu não estou em casa’.
  • Quando desejam que seja verdade aquilo que estão a dizer, por exemplo “nas férias vou com os meus pais para o estrangeiro”.
  • Os adolescentes dizem mentiras, porque temem que, se disserem a verdade os pais não os deixam fazer o que realmente desejam fazer.
  • Durante a adolescência, os jovens têm necessidade de manter a sua intimidade, podendo mentir a questões que os pais lhes poem e que eles consideram invasoras da sua privacidade.

O que se deve fazer?

Reagir de forma adequada: É importante não ignorar, nem achar graça à ”mentira” para que a criança não a venha a encarar como um comportamento aceitável, mas também é importante não se preocupar em demasia, já que a mentira é utilizada com bastante frequência no quotidiano de toda a gente.

Diálogar: É essencial que os pais conversem tranquilamente com as crianças, para lhes explicar a importância da verdade na vida de todos nós e quais podem ser as consequências positivas e negativas de se mentir. Se a criança mente porque receia o castigo, há que lhe mostrar as diferentes formas que os adultos têm para lidar com os erros; desta maneira a criança aprenderá a não ter receio de contar a verdade.

Confiar: Uma criança, de qualquer idade, vai sentir-se mais feliz e importante se os pais lhe demonstrarem com frequência que confiam nela. Se a criança for apanhada a mentir, os pais terão de lhe dizer que isso não irá fazer com que eles deixem de confiar nela, mas, se esse comportamento continuar, será difícil, para eles, manter uma relação de confiança

Dar segurança: A criança tem de se sentir segura para dizer a verdade, sem ameaças e sem receios. As mentiras nem sempre são fáceis de descobrir, pelo que os pais devem certificar-se sempre da veracidade ou não do comportamento; se realmente a criança mentiu é importante dar-lhe uma oportunidade para esclarecer a verdade e pedir desculpa.

Não rotular: As crianças rotuladas de mentirosas tendem a reforçar o comportamento e a mentir mais frequentemente.

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4 thoughts on “A MENTIRA NA INFÂNCIA E NA ADOLESCÊNCIA

  1. emiele

    Este é um tema muito, muito interessante.
    Eu sou das pessoas que aceita bem a mentira. É um “pecado venial” (é assim que se diz, não é?) Mas queria acrescentar que se há mentiras brancas, mentiras sociais, leves, há aquelas graves e muito más. E isso é importante que uma criança ou adolescente entenda bem.
    Nem se devia dar o mesmo nome de mentira à afirmação “não me esqueci dos teus anos, mas não consegui telefonar” ou “sim, essa echarpe é bonita” a “foi aquela pessoa que fez aquilo” quando é algo de mau e se sabe que se está a acusar erradamente.
    As mentiras leves fazem parte do nosso dia-a-dia, e alguém que dissesse sempre a verdade (as pessoas que dizem ser muito frontais magoem quem magoarem) em breve seria detestada!

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  2. Gaby Melo

    Tendo sempre sido explicada a importância da verdade na vida, aos 9 anos ele decide mentir, a mesma mentira insistentemente até que os pais acreditam que a criança diz mesmo a verdade. Passado dia verifica-se que a criança mentiu. E agora? Qual a forma de lidar com esta situação? Qual a punição? Para nós é a maior deceção que nos deu! Estamos de rastos. A confiança terminou. Passamos tantas horas de conversa… para quê?

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  3. Helenice

    Tenho um filho de 13 anos, que está mentindo frequentemente, geralmente sobre as notas e datas das provas, quando percebemos passaram as provas e ele nem sequer nos comunicou, em consequência suas notas ficaram bem abaixo da média. É normal tal comportamento? Se o questionamos o por que de tantas mentiras, ele nos responde que é para não brigarmos…

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