Os pais e o seu papel no desenvolvimento da autonomia dos filhos

Os pais e o seu papel no desenvolvimento da autonomia dos filhos

imagesCABRGKRQA autonomia respeita um processo que envolve o desenvolvimento emocional e afectivo da criança, bem como, a construção do seu mundo interno. A aquisição desta competência permite à criança aprender a escolher, preferir, tomar decisões e a encontrar critérios e razões para as suas escolhas.

Quais as estratégias que os pais, avós e cuidadores em geral, podem utilizar para promover a autonomia nos filhos?

1º Implicar as crianças na participação e realização das tarefas domésticas

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Desde muito cedo os pais devem, em conjunto com os filhos, definir as tarefas e as obrigações de cada elemento da família, para que todos tenham as suas responsabilidades na execução das actividades domésticas. Por exemplo:

Þ    Levar o lixo para a rua;

Þ    Ajudar o irmão mais novo a fazer os trabalhos de casa;

Þ    Pôr a mesa;

Þ    Levantar a mesa e arrumar a louça na máquina;

Þ    Ajudar na cozinha quando for solicitado;

A definição e distribuição de tarefas podem ser realizadas em família e devem ficar escritas num local de fácil acesso e visibilidade. Devem, igualmente, rodar entre todos, de preferência com uma periodicidade semanal.

Os pais podem estabelecer um determinado dia da semana e uma hora, por exemplo, o domingo ao jantar, para construir o esquema para a semana que se vai iniciar.

Por exemplo, pode combinar-se quem:

– Cozinha (pai, mãe, filho mais velho),

– Engoma  (pai, mãe, filho mais velho, filho do meio),

– Leva os filhos à escola (pai, mãe);

– Lê uma história à noite ao filho mais novo (pai, mãe);

– Poe o lixo na rua (filho mais velho, filho do meio, filho mais novo);

– Ajuda o mais novo nos trabalhos de casa (pai, mãe, filho mais velho);

– Dá apoio na cozinha (filho mais velho, filho do meio, filho mais novo);

– Poe a mesa (filho mais velho, filho do meio, filho mais novo);

– Levanta a mesa  (filho mais velho, filho do meio, filho mais novo);

– Arruma a louça na máquina (filho mais velho, filho do meio, filho mais novo).            

Poder-se-á, ainda, estabelecer que a arrumação dos quartos é da responsabilidade de cada um enquanto a arrumação dos espaços comuns é da responsabilidade de todos, sendo, então, necessário que cada um saiba o que vai fazer.

A execução ou não das tarefas combinadas deve ter consequências que serão previamente combinadas e aceites por todos.

2. Apoiar os filhos na resolução de problemas

images[2]Face a uma situação problemática, é importante que os adultos ajudem os filhos a compreender a natureza do problema ou do conflito que estão a viver, as alternativas que existem relativamente à sua resolução. No caso de uma criança mais nova é importante que os pais levantem questões (“porque é que achas que isso aconteceu?”, “o que sentiste na altura?”, “qual é para ti a solução? porquê?” “não haverá outras formas de resolver o problema?” “se seguires es caminho, o que pode acontecer?”

Se, em conjunto com a criança, foram identificadas várias soluções possíveis, ajude-a a escolher uma, tendo sempre em conta as consequências de cada opção.

3. Estimular a criança para adquirir a capacidade de tomar decisões

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Para estimular e ensinar a criança a desenvolver competências para a tomada de decisão é importante ajudar a criança a ver as possibilidades que tem bem como as consequências de cada uma. Deixe que seja a criança a decidir:

Þ    O que gostava de vestir;

Þ    O tempo de estudo em função das suas necessidades;

Þ    A disciplina que quer estudar primeiro;

Þ    Os amigos que gostava de convidar;

Þ    O programa que gostava de fazer no fim-de-semana ou nas férias

Þ    As cores com que gostava que o seu quarto fosse pintado

A capacidade para tomar decisões é um processo que se vai construindo ao longo do desenvolvimento e que vai aumentando de complexidade. Através do treino da tomada de decisão em questões mais simples vai construindo-se a capacidade para tomar decisões de maior dificuldade. Alguns exemplos:

Þ    Quando chega a casa, deixe que seja a criança a escolher o que vai fazer primeiro, por exemplo, tomar banho, fazer os trabalhos da escola, ver um pouco de televisão;

Þ    À hora da refeição pergunte-lhe a quantidade de comida que quer, ou se quer repetir.

Þ    Quando sai de casa para ir visitar alguém pode perguntar à criança se acha boa ideia levar um livro ou um jogo.

Þ    Quando os pais vão fazer compras (vestuário, calçado) devem deixar que a criança escolha entre as várias hipóteses que tem ao seu dispor.

4. Estimular a criança na aprendizagem do processo de negociação

imagesCA5ZF0JYA negociação contribui, também, para promover a autonomia, a   responsabilidade e o autocontrolo. Assim poderão ser utilizados contratos escritos, cujo foco deverá ser orientado para os comportamentos que se pretendem mudar. Nestes contratos deverão ser estabelecidos comportamentos desejáveis ou novas regras, que se esperam que as crianças adoptem. O resultado do diálogo entre pais e filhos sobre a realização de tarefas em casa, os tempos de estudo e de visualização da net pode, por exemplo, ser objecto de negociação.

5. Atribuir uma semanada ou mesada aos filhos

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Uma outra forma de promover o desenvolvimento da autonomia está relacionada com a semanada ou mesada que se dá à criança. Caso a criança receba dinheiro deve-se perguntar o que é que ela pretende fazer com esse dinheiro. A semanada pode ser dada à criança quando ela entra para o primeiro ciclo, passando mais tarde a ser-lhe dada uma mesada. É importante definir desde o início em que é que a semanada ou mesada podem e devem ser gastas, para que desde cedo a criança aprenda a gerir o seu dinheiro. Embora com excepções, os pais não devem dar dinheiro para além do valor estipulado. O principal objectivo da semanada ou mesada é o da aprendizagem da capacidade de gestão financeira.

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One thought on “Os pais e o seu papel no desenvolvimento da autonomia dos filhos

  1. emiele

    Ainda cá volto, que o post é grande e tem muito para dizer.
    Mas queria só deixar um comentário/graça:
    Eu (mea culpa!) não fui uma mãe que desse muita autonomia ao meu filho, sei isso bem.
    E quando li aqui «À hora da refeição pergunte-lhe a quantidade de comida que quer, ou se quer repetir.» lembrei-me de uma vez, já há muitos anos, em que o meu filho tinha acabado o que tinha no prato e eu, muito despachada, voltei a servi-lo. Ele protestou, admirado. E eu pergunto-lhe “Mas não querias mais?!” Resposta “Até queria, mas podias ter perguntado…”
    Nunca mais me esqueci!

    Responder

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