Supervisão focalizada nas estratégias de intervenção

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Nesta modalidade de supervisão, o supervisor foca a sua atenção nas estratégias e intervenções que os supervisandos “utilizam” com os clientes, no modo como atuam e na razão que suporta essa actuação. É, importante, também, entender, com eles, se prefeririam ter feito de outro modo e porquê.

É útil lembrar o aforismo de Abraham Maslow: “Se a única ferramenta que uma pessoa tem ao seu dispor é um martelo, essa pessoa tenderá a tratar tudo como se fosse um prego” e é importante ter a certeza de que os supervisandos têm uma ampla gama de possibilidades de intervenção e que as utilizam adequadamente.

É, igualmente essencial em supervisão, aprender a lidar com pensamentos dualísticos: “ou não suporto o comportamento controlador dos meus clientes ou tenho que o aceitar e tolerar” . Face ao silêncio, devo esperar, ou interpretá-lo como uma expressão de agressividade em relação a mim”?

É vulgar que os psicólogos baseiem as suas reacções em duas atitudes opostas.

O trabalho do supervisor é evitar a armadilha de apoiar os supervisandos na escolha entre duas opções e mostrar-lhes que o seu raciocínio é redutor. Uma vez que os supervisandos tenham percebido que operam sob uma hipótese restritiva, o supervisor pode ajudar a gerar novas opções para intervir.

Engendrar novas opções pode ser feito por meio de uma abordagem simples de brainstorming. As regras do brainstorming baseiam-se no pedido aos intervenientes para que digam, sem receio de serem criticados, o que lhes vier à cabeça.

O brainstorming é ajudado pela criação de um cenário onde se “colocam”, por definição, um número elevado de opções; só, quando esgotamos todas as alternativas óbvias e racionais é que o inconsciente criativo começa a expressar-se. Muitas vezes é a Ideia mais aparentemente mais desconcertante que contém o núcleo criativo que permite seguir um caminho mais adequado e construtivo. A supervisão em grupo permitirá, através da técnica do brainstorming, a descoberta de várias formas e estratégias para lidar com um impasse terapêutico. A supervisão em grupo oferece a possibilidade de se constituir num espaço onde surgem muitas alternativas criativas. O grupo contém, entre os seus membros, uma maior variedade de estilos que contribuem, se bem geridos, para evitar o dualismo no sistema diádico onde apenas existe a abordagem do supervisor ou do supervisionado.

Também, em grupo, há um maior leque de possibilidades de role-playing ativo. Os membros do grupo podem escolher uma das prováveis abordagens porque optariam (para experimentar) dentro da lista de possibilidades discutidas.

Muitos supervisores, quando focados em intervenções terapêuticas, podem modelar as intervenções dando exemplos pessoais da sua clínica.

Há, contudo, perigos nesta prática. É fácil, como supervisor mostrar as suas estratégias terapêuticas em situação de supervisão, situação bem diferente daquela que enfrenta um terapeuta quando face a face com o seu cliente.

Um outro perigo existe e já foi sentido na minha prática de supervisão: as intervenções de “autoridade” vão ser interiorizadas pelos supervisandos o que em nada vai contribuir para que eles desenvolvam e melhorem as suas próprias intervenções.

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