A ajuda dos pais nos trabalhos de casa dos filhos

De acordo, com Tavoillot, 1977, citado por Custódio José Gomes Ribeiro, “pode haver diversas razões para os pais ajudarem os filhos nos trabalhos da escola. A ajuda deve prestar-se quando a criança tem trabalho em demasia, em que o número de tarefas a realizar é elevado e em que o ritmo de trabalho e o tempo disponível para a realização das mesmas são desproporcionados; quando o trabalho acarreta demasiadas dificuldades e ultrapassa o processo organizacional das crianças; quando o trabalho pedido não corresponde às expectativas e gostos da criança ou que, para ela, não lhe transmite nenhum reforço positivo.

A ajuda pode ser directa ou indirecta. No primeiro caso, o mesmo autor, identifica vários tipos de ajuda:

Ajuda – substituição, em que os pais pura e simplesmente realizam as actividades pelas crianças, numa atitude considerada proteccionista, receando que a criança seja mal julgada e classificada como não capaz para a realização de determinada tarefa;

Ajuda – assistência, que consiste naquele pormenor dado pelo adulto à criança que a permite desbloquear de modo a realizar o trabalho proposto sem problemas, mas por vezes, os pais caem na tentação de realizarem, a seguir eles próprios a tarefa;

Ajuda pré-correcção, neste caso o trabalho foi realmente feito pela criança, contudo antes de ser apresentado ao professor é examinado e sujeito a uma primeira análise por parte dos pais onde indicam que há um ou outro erro em determinada parte do trabalho, esta atitude continua a ser proteccionista em relação à criança, no entanto pode promovê-las a exercitar a atenção e habituar as mesmas a reler e a corrigir, a recomeçar de uma forma crítica o trabalho realizado;

Ajuda – controlo, baseada no caderno diário em que se questiona a criança se fez os trabalhos, como os realizou, trata-se de ensiná-la a ser organizada e a repetir os trabalhos pessoais pela semana, esta atitude visa diminuir a experiência por vezes fracturante de entrada numa instituição exigente e intrigante e sobretudo desdramatizar essa situação;

Ajuda – repetição da explicação, consiste em procurar fazer compreender em casa uma explicação que não foi assimilada na sala de aula, o encarregado de educação recomeça a explicação que não foi compreendida na escola, nomeadamente com a proposta de exercícios complementares. A ajuda pode ser benéfica ou desastrosa quando a explicação dada é diferente e obriga a raciocínios diferentes e não pretendidos para a altura pelo professor.

No que concerne à ajuda indirecta, esta passa pelas:

– Condições materiais, relacionadas com ajudar a compreender e conservar os interesses das crianças ou por que não provocá-los, incentivando a ler um livro, visitar uma exposição de um autor que conheça, levá-los a feiras do livro ou à estreia do seu filme favorito, mostrando que se está atento aos gostos e solicitudes das crianças;

– Condições afectivas, são sem dúvida a melhor ajuda que se pode dar a um filho, a ajuda “mais eficaz, mais vital, mais profunda, que os pais podem dar ao

trabalho do filho é de ordem afectiva.” Esta ajuda pode ser definida em dois pontos: segurança afectiva, em que a criança se sente amada independentemente dos seus  resultados; e a estimulação defendida, por exemplo, por Freinet, que procurava, incessantemente, o domínio de uma determinada actividade, em que uma criança pudesse alcançar o êxito e a partir deste primeiro sucesso atingir muitos outros. Estimular não é só exigir, recompensar ou castigar, é rodear a criança de todo o calor de amizade que se consegue”.

Dissertação de Mestrado em Ciências da Educação, área de especialização em Gestão da Formação e Administração Educacional, apresentada à faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, 2009
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One thought on “A ajuda dos pais nos trabalhos de casa dos filhos

  1. emiele

    Muito clara e bem sistematizada esta exposição. Quem trabalha com pais tem muitas vezes de responder às suas dúvidas neste campo (por acaso estou a pensar em mandar um link deste post a uma mãe com quem falei a semana passada…)
    Uma das questões mais sensíveis é a quantidade de TPC para cada criança. Embora o professor mande os mesmos para a classe toda, há crianças que pelo seu ritmo de trabalho podem levar um tempo exagerado a realizá-lo – soube de uma que os acaba quase sempre pelas 11 da noite! – e outras que os despachem depressa.
    Os diversos tipos de ajuda até se podem suceder (excepto, é claro, os “errados” como a substituição) para a mesma criança conforme as situações.

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